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O que é coruja? Significados, mitos e gírias

A coruja é uma ave de rapina de hábitos crepusculares e noturnos. Tímida, discreta e desconfiada é considerada o símbolo da sabedoria. Entretanto, muitos mitos a rondam. Quer saber mais sobre essa ave mística e objeto de superstição? Acompanhe a matéria!

As corujas podem ser encontradas em todos os continentes, exceto na Antártida. Representadas pelas famílias Strigidae e Tytonidae, elas já existiam desde o período Eoceno, de acordo com fósseis encontrados que datam de mais de 24 milhões de anos.

Estima-se que existam pelo menos 212 espécies de corujas que vivem nas mais diferentes regiões como florestas densas, savanas, áreas montanhosas, campos, pradarias, desertos, encostas rochosas, tundras e até áreas urbanas.

Belas e exóticas

As corujas chamam a atenção principalmente por seus grandes olhos voltados para frente. Enxergam muito bem tanto durante o dia quanto a noite, porém não veem com a ausência total de luz. Para aumentar o seu campo de visão, ela pode girar a cabeça até 270°.

Sua audição também é bastante apurada, apesar de ter orelhas pequenas e pouco visíveis, o que faz com que detecte sua presa a uma grande longa distância se movimentando pelo solo ou sobre a mata. Seu bico é pequeno e curvo, suas garras muito fortes com unhas encurvadas e afiadas que utiliza para capturar e matas suas presas.

Seu voo é extremamente silencioso em virtude de possuir penas macias que quase não provocam atrito. A ponta de suas penas possui franjas de dupla função. A primeira permite que as penas pousem melhor uma sobre a outra, o que faz com que o ruído seja reduzido.

Já a segunda, as franjas garantem que as correntes de ar superior e inferior se choquem de forma mais suave na parte de traz das asas. Assim, as corujas conseguem se aproximar de suas presas silenciosamente.

A coruja se alimenta de insetos, gafanhotos, ratos, camundongos, morcegos e aves menores. Após capturar e matar sua presa ela, na maioria das vezes, a engole inteira e regurgita as partes não digeríveis como ossos, pelos e carapaça de insetos.

Na época da reprodução, que ocorre o ano todo nos trópicos e durante a primavera em climas temperados, o macho “presenteia” a fêmea com uma presa. Se ela aceitar é sinal de que o aceita como parceiro. A postura, geralmente, varia entre 3 a 5 ovos e a corujinha demora por volta de 20 a 30 dias para nascer.

Curiosamente a coruja não constrói seu próprio ninho e se utilizam de buracos no chão, cavidades em troncos de árvore ou ninhos construídos e abandonados por outros animais.

Quando se sente ameaçada ela utiliza de estratégias de defesa como, por exemplo, emite sons e dá voo rasante sobre o predador, ou ouriça as penas e estala o bico para afastá-lo.

Corujas no Brasil

A coruja no Brasil pode ser encontrada por todo o país desde os pampas gaúchos, à Mata Atlântica, Amazônia, caatinga, cerrado, florestas, restingas, áreas abertas e até em áreas urbanas.

Também podemos encontrar espécie de corujas de vários tamanhos desde as de grande porte, como as minúsculas.  A coruja- jacurutu (Bubo virginianus), por exemplo, chega a pesar 2 kg, enquanto a caburé-miudinho (Glaucidium minutissimum), 60 g.

Corujas mais populares

Das espécies mais populares podemos destacar a coruja-buraqueira (Athene cunicularia) que possui hábitos diurnos e pode ser vista facilmente em mourões de cercas, fios de postes, ou pousada no chão.

Outra também bastante comum e urbana é a coruja-de-igreja (Tyto furcata), ou suindara, como também é chamada. Vive principalmente nas cidades onde faz de torres de igreja, sótão, celeiros e forros de casa seu lugar para dormir ou seu ninho.

A corujinha-do-mato (Megascops choliba) é facilmente encontrada em sítios, parques urbanos e bosques e pode ser vista à noite caçando inseto próximo a luzes de iluminação.

Outra espécie bastante comum é a caburé (Glaucidium brasilianum) que apesar de medir por volta de 16 cm consegue capturar aves de seu tamanho, ou até maior. Outra peculiaridade é que possui duas manchas escuras na parte de traz da cabeça que parecem olhos, o que acaba confundindo a sua presa.

Espécies endêmicas

Ainda podemos encontrar as espécies endêmicas. Veja.

Mata Atlântica

  • Caburé-miudinho (Glaucidium minutissimum);
  • Corujinha-sapo (Megascops atricapilla);
  • Coruja-listrada (Strix hylophila);
  • Murucututu-de-barriga-amarela (Pulsatrix koeniswaldiana).

Floresta Amazônica

  • Caburé-da-amazônia (Glaucidium hrdyi);
  • Corujinha-orelhuda (Megascops watsonii);
  • Corujinha-relógio (Megascops usta);
  • Corujinha-de-roraima (Megascops guatemalae).

Ainda podemos encontrar a corujinha-do-sul (Megascops sanctaecatarinae) na porção sul do bioma e em áreas arborizadas dos pampas gaúchos.

Espécies raras

Seja pela timidez ou por uma distribuição mais restrita, existem corujas extremamente difíceis de serem vistas. Conheça algumas delas:

  • Caburé-acanelado (Aegolius harrisii): habita em grande parte do país e em diversos ambientes. Por ser muito difícil de ser vista recebeu o apelido de “espécie-fantasma”;
  • Coruja-preta (Strix huhula);
  • Jacurutu-da-caatinga (Bubo virginianus deserti): é considerada uma subespécie e ocorre no nordeste brasileiro e são pouquíssimos os seus registros.

Mitos em torno da coruja

Considerada a “rainha da noite” para muitos povos a coruja é símbolo da inteligência, da sabedoria, do conhecimento e dos mistérios. Símbolo de Athena, deusa da inteligência na Mitologia Grega, a coruja continua como símbolo nos cursos de Letras, Filosofia e Pedagogia.

Mas, para muitos, a corujinha é símbolo e maus presságios e tornou-se objeto de superstição e de medo em algumas partes do mundo. Isso porque, seus hábitos noturnos, seu voo silencioso e os sons que emite, ela foi associada às trevas e como sendo representante de Lúcifer.

A coruja-celeiro (Tyto alba), por exemplo, na Idade Média quando emitia sons era considerado sinal de mau presságio que anunciava desgraças e morte. Entretanto, isso não passa de crendice! O som que a coruja emite considerado por muitos como lúgubre, é apenas para espantar possíveis predadores ou para se comunicar com outros de sua espécie.

Assim, vamos deixar as corujinhas em paz porque a sua presença significa que o meio ambiente está preservado e equilibrado! As corujas são responsáveis pelo controle da população de ratos, insetos, escorpiões e outras pragas urbanas.

Gírias que envolvem a coruja

Algumas gírias envolvem a coruja e talvez a mais conhecida seja “mãe coruja”, “vó coruja”, “tio coruja”, enfim, uma família inteira de corujas. Isso significa que podemos contar sempre com essa pessoa e que, acima de tudo, ela não enxerga os nossos defeitos.

Outra gíria bastante comum está ligada ao futebol: “onde a coruja dorme”, que significa um ângulo da trave mais difícil para um goleiro pegar a bola. Sabe por quê? Geralmente a coruja costuma ficar “apreciando” a partida sentadinha nesse ângulo da trave.

Tem também a famosa “olhos de coruja”: como ela consegue enxergar bem à noite, consegue ver o que os demais não vêm. Isso significa que em determinadas situações devemos ficar com os olhos bem abertos e muito atentos.

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