Língua Portuguesa

Significado de libras: saiba mais sobre a linguagem de sinais

Mais de nove milhões de brasileiros sofrem de deficiência auditiva, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Por isso, do ponto de vista da comunicação, que é uma necessidade da humanidade desde que o mundo é mundo, a linguagem não-verbal é de extrema importância para que esse grupo de pessoas estejam inseridos em sociedade de forma mais acessível e igualitária.

Cada país do mundo tem a sua própria estrutura de linguagem, que pode variar de região para região, cultura local e expressões e regionalismos utilizados no dialeto de determinado lugar. Aqui no Brasil, a Linguagem Brasileira de Sinais, conhecida mais popularmente pela sigla Libras, é o meio de comunicação que permite a expressão de surdos, através de gestos, para que eles possam comunicar-se entre si e com outras pessoas, sejam estas últimas surdas ou ouvintes.

Trata-se de um conjunto de sinais que têm o propósito de realizar a comunicação entre pessoas com deficiência auditiva e, ao contrário do que muita gente pensa, estes não se referem a meros símbolos e gestualização da Língua Portuguesa. Nada disso!

Na realidade, os sinais são considerados componentes de uma língua à parte, baseados em diferentes níveis linguísticos (fonologia, semântica, sintaxe, morfologia, entre outros), sendo que o seu diferencial está na modalidade de articulação, que é visual-espacial.

Portanto, para aprender a se comunicar usando a Libras, além de conhecer todos os sinais, também é necessário entender bem sobre as estruturas gramaticais para combinar frases e, desta forma, estabelecer uma comunicação adequada e correta com deficientes auditivos e de fala, sem cair no uso equivocado do “português sinalizado”.

O que diz a lei?

A Língua Brasileira de Sinais (Libras) existe desde 1857, no governo de Dom Pedro II, criada pelo Instituto dos Surdos-Mudos – atualmente, Instituto Nacional da Educação de Surdos (INES) -, mas só foi estabelecida no país décadas depois, a partir da Lei nº 10.436/2002, como a linguagem oficial das pessoas surdas e com problemas de fala.

De acordo com a mesma legislação, ela pode ser aprendida e difundida por intérpretes, que, por sua vez, podem ser pessoas ouvintes especializadas em trabalhar com pessoas surdas. Inclusive, a função do intérprete, apesar de ainda estar em crescimento no Brasil, também já foi reconhecida e regulamentada através da Lei nº 12.319/2010.

Com a regulamentação da Libras, tornou-se dever do poder público brasileiro garantir a educação e acesso de surdos em escolas regulares de ensino, visando o seu aprendizado e desenvolvimento educacional. Além disso, também deve ser garantido o acesso à infraestrutura e profissionais qualificados não só nas escolas, como também em hospitais, bancos e supermercados, por exemplo, que possam atender os surdos e mudos tal como instituído em lei.

Como são os sinais de Libras?

Os sinais da Linguagem Brasileira de Sinais são obtidos a partir da combinação de gestos com as mãos e pontos de articulação, que nada mais são que locais no corpo ou no espaço onde possam ser feitas expressões faciais e corporais capazes de transmitir sentimentos que, no caso dos ouvintes, seriam equivalentes à entonação da voz. Em conjunto, eles devem formar unidades básicas desse tipo de linguagem.

Desta maneira, é possível dizer que a Libras constituem um sistema linguístico de fatos e ideias, provenientes de comunidades de pessoas surdas no Brasil. E, assim como acontece em qualquer outra língua, há particularidades que podem facilitar o entendimento entre surdos e mudos, como é o caso das diferenças regionais. Existem variações nos sinais de Libras em cada estado do país.

Além disso, dentro da língua de sinais, como os verbos apresentam-se sempre no modo infinitivo e os pronomes pessoais não existem, o utilizador dela precisa sempre apontar a pessoa de quem se fala para ser compreendido.

E como funciona a escrita?

A Libras, tal como outras línguas de sinais de outros países, ainda não conta com um sistema de escrita amplamente adotado, embora já existam propostas, como é o caso da SignWriting, que tem sido utilizada em alguns lugares.

No entanto, enquanto esse tipo de linguagem ainda não tem uma escrita própria, a Libras tem sido transcrita a partir de palavras da Língua Portuguesa que correspondam ao significado dos sinais. Neste caso, para definir qual palavra indica um sinal, ela é grafada em letras maiúsculas. Exemplos: BOLO, LUA, etc.

Alfabeto em Libras

Além da profissão de intérprete, são necessários também outros instrumentos e mecanismos de divulgação para que a língua de sinais fique cada vez mais acessível a todos, como é o caso de cursos de formação, o dicionário de Libras e, também, o alfabeto de Libras. O alfabeto dentro da linguagem de sinais é uma das principais maneiras de aprender a comunicar-se com surdos ou pessoas com problema de fala. E não é difícil aprender! Veja:

Números em Libras

E além do alfabeto, a Libras também conta com sinais específicos para a comunicação também a partir de números, sejam estes cardinais (um, dois, três, etc.) ou ordinais (primeiro, segundo, terceiro, etc.). No caso destes últimos, basta fazer os mesmos sinais abaixo, mas tremendo levemente a mão. Confira:

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Até a próxima…