Língua Portuguesa

O que é poliglota? Qual o significado da palavra?

Ser poliglota no mundo de hoje é quase sinônimo de obrigação para quem deseja uma carreira de sucesso – pelo menos para quem tem ou trabalha com curso superior. Mas, mesmo quem busca o sucesso numa carreira de nível médio, quase certamente também vai precisar ler apostilas ou buscar informações via Google ou redes sociais e boa parte destas estão em outro idioma que não o português.

Portanto, a conclusão é mais ou menos simples: você precisa aprender outro idioma para concorrer a cargos de destaque em sua profissão, qualquer que ela seja. Mas, resta outra pergunta: basta aprender o inglês, para citar o idioma da moda?

São muitos os idiomas, além do inglês

Não, não basta. Já existe a clara certeza, entre recrutadores experimentados de recursos humanos, de que o mínimo que um profissional de excelência deve dominar são três idiomas – o de nascimento e mais dois, e um destes pode ou não ser o inglês.

O português é o quinto idioma mais falado do mundo e, além dele, vêm, pela ordem, o chinês, o hindi, inglês, árabe e espanhol. E olha que ainda há o francês e o alemão como línguas de destaque mundial.

E todos têm sua importância internacional, seja do ponto de vista comercial como diplomático e convivência entre os povos. Isso quer dizer que a opção pela segunda e terceira língua pode depender – e muito – da profissão que você vai escolher quando adulto.

Se não vem de berço, aprenda agora

E aí você vai se perguntar: mas como vou aprender mais dois idiomas, se mal consigo falar bem o português? É verdade, isso é um empecilho sério que vem da nossa cultura, desde quando somos crianças.

Seja na nossa família, no geral, ou na educação brasileira, não há essa grande preocupação com o ensino – em profundidade – de novos idiomas para crianças e adolescentes.

Então, é preciso começar a corrigir essa deficiência desde pequeno – na verdade, um segundo idioma deveria entrar no nosso currículo já na primeira infância, enquanto estamos aprendendo a falar o próprio português. Mas, se isso não aconteceu com você, não adianta chorar; a solução é partir logo para o aprendizado e superar a deficiência.

Experiências com crianças mostram avanços

Estudos têm mostrado, inclusive com imagens, que o cérebro de pessoas que falam mais de um idioma tem maior massa cinzenta do que aqueles de pessoas que só falam um idioma. Esses estudos são bastante avançados na Índia e, por isso mesmo, as crianças indianas já usam um segundo idioma em parte de seus estudos iniciais.

Embora essa preocupação ainda seja rara em países ocidentais, também já existem algumas experiências. No estado norte-americano de Utah, um estudo pioneiro promove o estudo do mandarim e do espanhol em várias escolas, com sucesso extraordinário. Há uma escola da Inglaterra que também promove estudo semelhante.

Países com muitos idiomas oficiais

A experiência da Índia tem demonstrado, também, que as pessoas aprendem vários idiomas com relativa facilidade, especialmente se começaram cedo. E o caso da Índia é emblemático, pois o país possui mais de 400 idiomas ou dialetos, falados ao longo desse imenso país de 1,2 bilhões de habitantes, e possui 23 idiomas oficiais. Caso semelhante ao da África do Sul, com 11 idiomas oficiais.

E muitas pessoas desses dois países falam vários de seus idiomas oficiais, prova de que não é assim tão difícil. A explicação? Começaram a falar cedo, pois, em muitas famílias, existem quatro a cinco idiomas, vindo de pessoas que têm origem em diferentes tribos.

Bom para o cérebro, contra o Alzheimer

Além da questão profissional e social, há outras questões que envolvem a pessoa poliglota, aquela que fala mais de um idioma. Os estudos têm demonstrado que elas possuem maior agilidade mental e um cérebro mais desenvolvido.

Estudos da Índia e outros países já revelaram que um poliglota recupera-se mais facilmente ao sofrer um AVC do que pessoas que só falam um idioma.

Quase todas as demências que se originam com o avançar dos anos, também, como o Alzheimer, demoram mais a aparecer em pessoas que têm o domínio – entendem e falam – mais de um idioma. Para os cientistas, um segundo ou terceiro idioma forçam o cérebro a exercícios que pessoas comuns não conseguem executar.

Essencial para as carreiras internacionais

O homem começou a falar há aproximadamente 250 mil anos e, depois disso, houve rápida expansão para novos idiomas.

A multiplicação de línguas ocorreu de forma extraordinária, na medida em que as diversas famílias foram se constituindo em tribos e habitando áreas diferentes do planeta, em busca de comida. Muitos anos mais tarde, os deslocamentos e as necessidades comerciais voltaram a exigir que mais pessoas falassem mais idiomas, surgindo a necessidade da pessoa tornar-se poliglota.

Hoje em dia, para o exercício de carreiras internacionais, como diplomatas ou especialistas em comércio exterior, a necessidade de um segundo ou terceiro idioma é essencial e indispensável.

Ser poliglota deixou de ser privilégio

Na verdade, engenheiros, arquitetos, médicos ou economistas, por exemplo, também necessitam de um segundo e terceiro idioma para a leitura de publicações, hoje indispensáveis ao seu exercício profissional. A estas profissões, acrescenta-se todas aquelas que trabalham com novas tecnologias, especialmente informática, internet e, de forma especial, quem opera com o marketing em redes sociais.

Ou seja, ser poliglota já não é um privilégio de algumas profissões, mas, obrigação aos que almejam sucesso na profissão escolhida. E isso, repita-se, não indica uma corrida ao inglês, pois muitas das apostilas são originárias do Japão, China ou Índia, novas mecas de tecnologias revolucionárias, seja na computação como na mecânica em geral.

A hora de aprender é agora

A conclusão mais óbvia de tudo isso é que ser poliglota evoluiu de um mero exercício de desenvolvimento social – consequência do sucesso profissional – para questões de saúde e melhor desenvolvimento da vida, especialmente em seu quarto final para toda pessoa. Pois os estudos são claros ao mostrar que a mente humana ganha maior flexibilidade e realiza várias tarefas simultâneas entre aqueles que falam várias línguas.

Quem fala mais de um idioma torna-se, também, mais sociável, com maior empatia dentro do grupo em que atua. Também são mais rápidos e precisos em tarefas que exigem o desenvolvimento intelectual. Acabam adquirindo maior atividade cerebral.

Portanto, se você não foi premiado com um segundo e terceiro idiomas lá em sua primeira ou segunda infância, não perca tempo: ser poliglota é essencial e jamais o tempo está perdido para quem almeja grandes conquistas na vida.