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O que é racismo? Quais as suas origens? Como é hoje? Como combater?

Podemos simplificar e dizer que racismo é a discriminação social, sem base científica, de que uma raça é superior à outra. Mas o problema, que teve início no século XVI, é bem mais sério e persiste até os dias atuais.

Fatos históricos apontam os séculos XVI e XVII como sendo o início do preconceito racial, principalmente pela escravização do povo africano e a morte de indígenas. Europeus, baseados em teorias sem nenhuma base científica de que existia uma raça superior, no caso a branca e somente ela tinha a capacidade para prosperar e governar, enquanto outras raças como a negra, asiática, indígena e indiana, serviam apenas para trabalhos braçais, inúmeros negros e indígenas foram escravizados ou mortos.

Racismo, preconceito e discriminação

Devemos entende que conceitualmente racismo, preconceito e discriminação são diferentes, mas estão interligados. O racismo é uma forma de discriminação e preconceito fundamentado na cor da pele ou da origem étnica.

O preconceito é um pré-julgamento de algo ou de alguém sem antes realmente conhecer e pode estar relacionado com o estilo de vida, opção sexual ou classe social, por exemplo.

A discriminação ocorre quando uma pessoa, ou um grupo, passa a tratar diferentemente outra pessoa, ou outro grupo e pode ocorrer por diversos motivos, como raça, classe social, religião, cultura, por exemplo.

Racismo através dos séculos

Durante o governo de Adolf Hitler, marcado pela teoria da supremacia da raça branca, as perseguições minorias religiosas, étnicas, políticas e linguísticas era enorme, e não foi diferente com os negros espalhados por toda a Alemanha.

Em 1935, o governo instituiu as leis raciais de Nuremberg, que proibia os judeus alemães de sua nacionalidade, de se casarem ou terem relações sexuais com pessoas de “sangue alemão”, também foi aplicada à comunidade negra.

Assim, mesmo os negros alemães terem nascido lá e serem filhos de cidadãos alemães, eles não obtiveram a cidadania e acabaram sendo chamados de “negros sem pátria”. Com isso, não conseguiam emprego e muitos deles formam usados em trabalhos forçados e rotulados como “trabalhadores estrangeiros”.

Outro caso não menos conhecido de supremacia branca ocorreu nos Estados Unidos com a fundação da organização secreta Ku Klux Klan, no final do século 19. Organização com ideais racistas promovia a segregação e o ódio contra os negros. Encapuzados, com vestimentas brancas e tendo como símbolo uma cruz, cometiam atos violentos contra os negros e quem os defendesse.

Os membros da Ku Klux Klan agiam com violência incendiando as casas habitadas por negros, promovia o espancamento e o enforcamento de muitos afro-americanos. A organização existe até hoje, mas é um grupo bem pequeno (já chegou a ter 4 milhões de membros na década de 20) espalhados pelo território americano.

Racismo no Brasil

No Brasil o racismo é resultado da colonização e da escravidão dos negros que eram utilizados como mão-de-obra. Mesmo após a Abolição da Escravatura através da promulgação da Lei Áurea em 13 de maio de 1888, os negros não obtiveram respaldo para serem inseridos no mercado de trabalho.

Os ex-escravos também enfrentaram problemas com moradia e alimentação uma vez que perderam as condições mínimas de subsistência ao serem libertados. Desde aí, a luta tem sido intensa por parte da raça negra em se manter dentro de uma sociedade que afirma não ser racista. Mas podemos dizer que no Brasil o racismo assumiu novas formas, novas caras e que vem ganhando força ao longo dos anos.

Manifestação de racismo

O racismo pode se manifestar de maneiras diferentes como quando é motivado pelo ódio ou pela discriminação racial direta, que é quando por conta de sua cor ou origem étnica, as pessoas são impedidas de entrar em algum local, não tem acesso a determinados serviços, são agredidas ou difamadas.

Ocorre também a discriminação racial por meios institucionais sendo direcionados exclusivamente àqueles em razão da cor da sua pele. Um caso bem comum, e frequente, é a abordagem policial violenta feita aos negros, a desconfiança de seguranças e policiais contra eles sem nenhum motivo que justifique.

O chamado de racismo estrutural está ligado à cultura de um povo e pode ser notada em grandes empresas, por exemplo, onde pouquíssimos negros ocupam cargos de chefia ou ainda, nas universidades, onde a maioria dos estudantes é branca. O racismo também pode se manifestar dentro de uma estrutura através de termos pejorativos e de piadas.

Racismo reverso ou racismo inverso

O conceito de racismo reverso ou racismo inverso é bastante recente, porém parece um pouco contraditório, uma vez que não houve na história escravidão ou segregação contra os brancos. O racismo reverso afirma a existência de discriminação da parte dos negros pelos brancos e isso seria uma atitude racista.

Dessa forma, podemos definir o racismo reverso como sendo uma atitude bilateral: um negro disfere uma injúria ou adota certo preconceito contra um branco e um branco para com um negro.

Lei sobre racismo no Brasil

Conhecida como a lei antirracismo, a lei nº 7716, assinada em janeiro de 1989, torna crime qualquer manifestação que exclua ou discrimine pessoas em função de sua raça, cor ou origem étnica e prevê penas de prisão para quem os cometer.

De acordo com o texto da lei, nenhuma pessoa pode ser discriminada em função de sua cor em qualquer tipo de estabelecimento como acesso a lojas e restaurantes, estádios de futebol, barradas na contração em empresas e participar de concursos públicos.

A lei também proíbe a divulgação de mensagens, bem como de símbolos que remetam a qualquer tipo de “teoria da supremacia branca”, como por exemplo, a suástica nazista.

Outro ponto da lei aponta que quando o crime de discriminação racial ocorrer através de meios de comunicação qualquer que seja ele, a pena poderá ser aumentada e chegar a cinco anos de reclusão.

Como combater no racismo no Brasil?

O combate ao racismo deve começar dentro da escola, é o que apontam especialistas. Segundo eles, o racismo deve ser discutido cotidianamente dentro de escolas e faculdades através de debates entre professores e estudantes.

Além disso, é importante abordar sobre casos de racismo que tiveram grande repercussão e que acabaram na justiça, como é o caso do jogador de futebol Baloletti, vítima de racismo na França, em que torcedores se dirigiram a ele imitando sons de macaco.

Outro caso que teve bastante repercussão nacional foi o ocorrido com a filha do casal de atores Giovanna Ewbank e Bruno Gagliasso, Chissomo “Titi” Ewbank Gagliasso, nascida no Malawi, que foi vitimada com comentários racistas nas redes sociais.

Mais um ponto discutido por especialistas para combater o racismo é que as pessoas negras tenham tanta representatividade nos meios de comunicação, na política, Internet e na cultura, quanto tem uma pessoa branca.

Porém, acima de tudo é essencial que as pessoas negras sejam respeitadas e valorizadas onde quer que estejam e, no caso de se sentirem discriminadas por sua cor, não hesitem em recorrer à justiça, uma vez que estão amparadas legalmente.