Religião

Canonização: entenda o que é e como funciona

Com o intuito de reconhecer o legado das pessoas que viveram de acordo com a fé, a igreja católica criou a canonização. Todos os que recebem o título de canonizado estão sendo homenageados pela vida que levaram, seja ajudando outras pessoas ou propagando as mensagens da bíblia. A canonização também coloca, na visão católica, qual é o modelo de conduta espiritual e moral que deve ser seguido.

O que é a canonização?

A canonização é o ato pelo qual a Igreja Católica Apostólica Romana reconhece publicamente que uma pessoa é santa. Essa pessoa, que não está mais em vida, passa a integrar uma lista de santos reconhecidos pela igreja, também chamada de cânon. O Vaticano é o único órgão a ter gerência nesse assunto, tendo a decisão tomada pelos mais influentes do clero e com a influência do papa.

Nas primeiras décadas da igreja católica, não havia nenhum tipo de reconhecimento formal em relação a pessoas canonizadas. Todo o processo era realizado de uma forma bem popular, identificando-se quem eram as pessoas que eram mais exaltadas pelo público em geral. Foi assim que, por exemplo, o primeiro papa e apóstolo de Jesus, Pedro, chegou a ser reconhecido entre as figuras que representavam santidade.

História

A primeira canonização só foi realizada no ano de 993. O Papa João XV foi o responsável por realizar este ato pela primeira vez, destacando a vida de Ulrich, um bispo de Augsburg. Agora também conhecido como Santo Ulrico de Augsburg, ele foi uma importante figura da igreja católica naquele início de sacro império romano germânico.

Durante a Idade Média, houveram algumas discordâncias em relação ao processo, o que deu margem para outras práticas durante aquele período conturbado para a igreja católica. As pessoas mudaram os seus costumes, passando a enterrar os restos mortais das pessoas na mesma área em que havia a igreja. Com o corpo presente por ali, já estava autorizada a veneração como se a figura fosse santificada.

Apenas em 1588, o Papa Sisto V analisou os processos e definiu que deveria haver uma unificação de todo o trâmite para um santo fosse escolhido por todas as pessoas. Na montagem da ideia, era ideal que uma grande parte das pessoas influentes da igreja participassem, rendendo uma decisão mais burocrática e que seria protocolada oficialmente.

Canonização

Como funciona o processo?

Hoje, o processo para se tornar um santo reconhecido pela igreja católica é um pouco mais demorado, principalmente pela complexidade apresentada em todas as etapas. Mas algumas figuras brasileiras, como é o caso de Frei Galvão e Irmã Dulce, já superaram ou estão superando todas as fases.

Quando o nome é cogitado pela alta cúpula da igreja, a figura passa a ser reconhecida como um “servo de Deus”. Dessa forma, o procedimento é aberto e toda a vida da pessoa será vasculhada para que sejam verificadas as virtudes necessárias para que o processo continue em aberto. Caso ela realmente apresente atributos inquestionáveis sobre o legado deixado, a pessoa passa a ser considerada “venerável”.

A análise dos milagres é um passo fundamental para a verificação da existência de um santo. Todos precisam ter, pelo menos, um milagre pelo qual intercederam em vida. Caso este milagre seja realmente comprovado por meio da graça, o candidato é beatificado. Mas ainda é necessário comprovar um segundo milagre para que, de forma inquestionável, a figura possa ser considerada santa.

Curiosidades

Antes da conclusão deste processo fechado e burocrático, algumas figuras míticas foram escolhidas pelo público para que pudessem se tornar santos. Entre elas, podemos destacar São Jorge e São Guinefort, que na realidade é um cão. Este tipo de medida fazia com que a escolha dos santos não aderisse a nenhum critério, tornando-se algo totalmente aleatório.

Hoje, há cerca de 10 mil beatos e santos considerados oficiais pela Igreja Católica Apostólica Romana. Existem algumas dificuldades para se definir um número exato, pois os processos mais antigos acabaram se perdendo com o tempo. Com a falta de acompanhamento e a ausência deste banco de dados completo, há uma possibilidade de que alguns santos acabem sendo “esquecidos” pelo caminho.

Canonização

Brasileiros que passaram pelo processo

Neste primeiro momento, é muito importante separar as nomenclaturas. Há uma série de pessoas que passaram pelo processo de beatificação após passarem uma temporada no Brasil, mas foram poucas as que efetivamente moraram no país. Essa lista de “brasileiros adaptados” inclui até o pastor José de Anchieta, responsável pela catequização dos índios nas terras que hoje reconhecemos como São Paulo.

Nascida na Itália mas vivendo boa parte da vida no Brasil, Santa Paulina também é um destes casos. Ela foi santificada em Florianópolis em 1991, em cerimônia presidida pelo Papa João Paulo II.  Chegando ao Brasil em 1875, a santa viveu na cidade catarinense e também em São Paulo, dedicando totalmente a vida aos serviços religiosos.

Considerando este dado mais geral, o Brasil conta com 88 figuras diretamente ligadas a ele que iniciaram o processo de canonização. Apenas 36 desses foram considerados santos ao final da avaliação, enquanto os restantes ficaram como figuras beatificadas pela igreja. É um número considerado alto, principalmente pelo número de ações da igreja espalhadas pelo país.

Santos nascidos no Brasil

A primeira figura a ser considerada santa e nascida no Brasil foi Antônio de Sant’anna Galvão, mais conhecido como Frei Galvão. Natural de São Paulo, ele se tornou mundialmente famoso por todos os serviços prestados pelo país, além de ser altamente reconhecido pelas curas exercidas. Foram milagres neste sentido que o transformaram em uma das figuras passíveis de reconhecimento por parte da igreja católica. A cerimônia de canonização aconteceu em 2007, comandada pelo então papa alemão Bento XVI.

Em 2019, foi reconhecida a primeira santa genuinamente brasileira. Trata-se de irmã Dulce, que agora passa a ser chamada de Santa Dulce dos Pobres. A cerimônia de canonização aconteceu no Vaticano em outubro, durante uma missa assistida por mais de 5 mil pessoas e presidida pelo Papa Francisco. Falecida há 27 anos, Irmã Dulce era conhecida como “anjo da Bahia” e estava sempre disposta a ajudar pessoas pelas ruas de Salvador, também se destacando por promover a cura de duas pessoas por meio da intercessão.

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