Animais

O que é um unicórnio? Quando e como surgiu? Existe de verdade?

Ele tem um chifre bem no meio da testa e aparência tranquila, além de muito bonito e simpático – o que gosta mesmo é de ficar ao pasto, saboreando uma boa refeição. Esse é o unicórnio, animal mitológico que há alguns séculos – na verdade, milênios – povoa a imaginação de pessoas de todos os tipos. Embora não tenha deixado muitos rastros, há quem afirme que realmente existiu.

Assim como sua própria referência na mitologia também é escassa. Ele tem a forma de um lindo cavalo branco, mas é dourado quando pequeno e de cor prateada quando chega à adolescência. Mesmo que seja incerta a sua origem, as primeiras referências a seu respeito são do Oriente, provavelmente da Índia.

Adora dormir no colo de moça virgem

Também chamado algumas vezes como licorne ou licórnio, tem o seu chifre sob a forma espiral e patas razoavelmente peludas, com os cascos divididos em dois. Sua forma de cavalo branco deixa-o ainda mais bonito, a ponto de encantar e só deixar-se envolver por moças virgens, em cujo colo adora colocar a cabeça e dormir.

Esta é a única forma, aliás, de ser pego por caçadores, pois não permite a aproximação de homens – com sua cabeça sob o colo de uma donzela, o unicórnio pode ser surpreendido e caçado, relatam vários autores há muitos séculos.

Um esqueleto achado na Sibéria

Embora muitos relutem em acreditar em sua existência de fato, pesquisadores da Tomsk State University, da Rússia, encontraram vestígios do que teria sido um gigantesco unicórnio que habitou a Sibéria. E os pesquisadores chegaram a outra revelação surpreendente: eles estão extintos há bem menos tempo do que se supunha.

Os cientistas russos da TSU descobriram vestígios desse unicórnio siberiano em esqueletos que datam de 29 mil anos, quando antes estimava-se que eles estariam extintos da terra há pelo menos 350 mil anos.

Teria mesmo convivido com o homem

O unicórnio siberiano não é bem assim aquele cavalo branco bonito, simpático e capaz de seduzir donzelas. Ao contrário, trata-se de um gigante com 4,4 metros de comprimento e 1,82 metros de altura e 3,6 toneladas de peso. Este unicórnio siberiano, na verdade, tem um chifre no meio na testa, mas, estaria mais para um animal entre o mamute e o rinoceronte – algo entre os dois.

Conforme reportagem publicada na revista científica American Journal of Applied Sciences, este animal, com o nome científico de Elasmotherium sibiricum, pode ter convivido com o homem, pois os primeiros fósseis humanos que se conhece datam de 45 mil anos, conforme descoberta de 2008.

O unicórnio, segundo Da Vinci

O nosso unicórnio lindo e sedutor de moças, entretanto, tem outro formato e se pareceria com um belo cavalo branco, como já dito. Aparece muitas vezes nas artes medievais e alguns famosos artistas renascentistas se referem a ele, em pinturas, afrescos ou narrativas escritas. Veja o que disse o próprio Leonardo da Vinci, um dos principais expoentes do Renascimento:

“O unicórnio, através da sua intemperança e incapacidade de se dominar, e devido ao deleite que as donzelas lhe proporcionam, esquece a sua ferocidade e selvajaria”, disse. E acrescenta: “Ele põe de parte a desconfiança, aproxima-se da donzela sentada e adormece no seu regaço”. Ou seja, é só assim que os caçadores conseguem pegá-lo.

Ele aparece até mesmo na Bíblia

É claro que esta jovem precisa ser bela e virgem para atrair o animal e acalmar o seu instinto selvagem. É assim que ele aparece em painéis de imperadores da China ou mesmo em narrativas contadas por Confúcio, um dos principais pensadores chineses dos velhos tempos. Também está em escritos de Alexandre, o Grande, ou em bibliotecas atenienses.

Várias citações ao unicórnio são feitas até mesmo na Bíblia, o livro mais lido do mundo e sagrado para católicos e todas as religiões cristãs. Vários estudiosos mais recentes da Bíblia, entretanto, afirmam que, neste caso, trata-se apenas de erros de tradução a partir do hebraico original.

Sempre presente na literatura mundial

Pode ser, mas no livro Physiologus, da Grécia antiga e escrito no século V da Era Cristã, há uma citação do milagre da Encarnação com o unicórnio presente no dogma da virgindade da mãe da Jesus Cristo. Ele volta a aparecer em tapeçarias oriundas do Norte da Europa medieval ou nos enxovais de noivas italianas dos séculos XV e XVI. Neste caso, referência direta à virgindade destas prometidas italianas.

Na literatura, ele está presente na obra de Voltaire, no conto A Princesa de Babilônia, em que o herói Amazan aparece montando um unicórnio. E também em obras de escritores mais modernos, como Lewis Carroll, Peter S. Beagle e C.S. Lewis. Em Harry Potter, a escritora J. K. Rowling inclui o sangue do unicórnio entre os alimentos do vilão Voldemort para que este possa manter-se vivo.

Os poderes mágicos do seu chifre

Ele bebe o sangue de um unicórnio, porém, como narra a lenda de épocas bem distantes no passado, Voldemort mantém-se apenas como um morto vivo, com sua vida amaldiçoada para sempre. É assim que ele é descrito em obras do passado, em diversas culturas, da China à Europa, passando pela Grécia, Pérsia e Roma. Um animal dócil, mas, capaz de voltar-se contra a pessoa que o maltrata ou mata.

Se seu chifre ou o pelo possuem poderes mágicos, capazes de promover maravilhas para quem consegue matar um unicórnio e usar de seus benefícios, haverá a reviravolta no momento seguinte e a vingança do animal virá sob a forma de maldições a quem o matou.

A dúvida: unicórnio existiu mesmo?

São muitos os relatos a seu respeito ao longo da história. A enciclopédia Nordisk Familjebo, da Suécia, que começou a ser publicada em 1876 e durou até 1957, afirma que o unicórnio foi extinto na pré-história. Com o que não concorda Willy Ley, cientista britânico: ele sobreviveu mais tempo, a ponto de chegar às lembranças do povo russo de épocas mais modernas.

Enfim, é difícil separar o aspecto mitológico da imaginação humana e até científica. Amade ibne Fadalane, muçulmano que fez muitas viagens ao Oriente e cujos escritos são tidos como sérios por vários estudiosos, diz ter conhecido caçadores de unicórnios. E garante que viu, no Oriente, potes fabricados com chifres desses animais. Realidade? Em 1663, um esqueleto encontrado na Alemanha atual, numa caverna, é tido como sendo de um unicórnio legítimo. A cabeça, intacta, tinha um único chifre bem no meio da testa. E, agora, o que você pensa: unicórnio existiu ou não?