Animais

Estivação é o nome dado ao comportamento de algumas espécies

Estivação

As plantas e os animais evoluíram e acabaram se adaptando para que pudessem sobreviver a determinadas condições extremas. Para isso, usaram mecanismos complexos que alteravam seus hábitos e adaptavam seu organismo. A isso dá-se o nome de estivação.

Caracterizada como um estado de intensa dormência, a estivação acontece em determinadas espécies. Esses animais comumente necessitam sobreviver ante as adversidades ambientais.

O fenômeno é característico dos períodos excessivamente secos e quentes, em geral, ocorre no verão. É nessa exata época que eles encontram grandes temperaturas, escassez de alimentos e de água, além da estiagem, por exemplo.

A dormência é variável conforme o tipo de animal, podendo ser profunda. Dessa forma, a espécie pode interromper a alimentação, apenas sobrevivendo com as reserva da energia. A estivação se assemelha bastante a hibernação, no entanto, é mais normal acontecer uma sonolência leve.

Isso pode perdurar por um período curto de tempo, no qual o animal acaba se restaurando em pouquíssimos minutos. Assim, os exemplares da espécie acordam para realizar suas necessidades básicas, tal como a ingestão de alimentos.

Durante o processo, o animal procura por um abrigo mais úmido e fresco. O metabolismo se desacelera para atingir a inatividade e letargia. Os batimentos do coração e a respiração são reduzidos. Isso permite que se gaste pouca energia, mantendo o equilíbrio de todo o corpo.

Espécies que apresentam essa característica

A estivação ocorre em diversas espécies, tal como os artrópodes, moluscos, peixes, mamíferos e répteis. Os peixes pulmonados (peixes dipnóicos) por meio do fenômeno conseguem sobreviver sem água por, no máximo, 3 anos.

Por ser um peixe primitivo que ainda possui pulmões, é possível que ele viva fora d’água e respire ar. Um bom exemplo do peixe dipnoico: a piramboia. Esse peixe vem do norte do Brasil, habitando pântanos e rios que acabam secando periodicamente.

Nos períodos da grande seca, esse pirambóia vive enterrado e envolvido por um tipo de casulo. Este se forma pelo endurecimento do muco e secreção. Na parte de cima do casulo existe a abertura por onde passa o tubo que penetra na boca do bicho, o qual, por conta de seu pulmão, acaba respirando o mesmo ar atmosférico.

Mesmo quando toda a lama seca por completo, o peixe continua úmido, respirando por meio do tubo do muco. Para continuar sendo nutridas por todo o processo da estivação, as espécies utilizam-se das gorduras acumuladas ao redor dos órgãos.

Nesse período em que estão no sono intenso, seus metabolismos são reduzidos. Dessa forma, as espécies excretam diminutas quantidades de ureia. Elas acabam se acumulando no sangue e são eliminadas quando os peixes voltam às suas atividades normais.

Além do peixe

Tirando o peixe, algumas espécies dos caracóis terrestres também passam a entrar no processo da estivação. Entre elas estão:

  • O Heliz;
  • A Cernuella;
  • A Helicella;
  • O Otala.

Como citado acima, o fenômeno ocorre durante a estação quente e seca, onde se encontra pouco alimento, bem como pouca umidade. Para eliminar esse calor intenso que vem do solo, tais caracóis acabam subindo nas plantas altas, o que inclui árvores e arbustos.

Também podem subir as estruturas feitas manualmente pelo homem, como cercas, postes, etc. Assim, posteriormente entram na fase de estivação. Dessa forma, protegido, o caracol espera até o tempo se tornar mais apropriado para sobreviver.

Determinados crustáceos, tal como o caranguejo terrestre, passam a estação de seca no estado inativo bem no fundo das suas tocas. O anfíbio, como um sapo cururu, pode se mover até o nível do subsolo, onde encontra temperaturas mais frias e mais úmidas para entrar na estivação.

Outros mamíferos pequenos ficam inativos nas suas tocas por todo o verão, com as temperaturas corpóreas internas aproximando-se da temperatura que está no ambiente. Tal estado é provavelmente fisiologicamente semelhante ao da hibernação, diferindo, somente, pela estação em que ocorre.

Principais características da estivação

A estivação se apresenta como um fenômeno comumente ocorrido nas estações mais quentes, ou seja, nos meses do verão. É quando o tempo e o solo estão excessivamente secos, imperando a escassez dos alimentos, bem como da água. Além do mais, o processo é mais frequente nos animais pequenos, por conta do seu metabolismo dispendioso e acelerado.

Assim, determinadas plantas e animais podem se induzir ao estado da letargia para obterem a proteção que precisam. Afinal, não podem se desidratar, algo comum nas regiões mais áridas. Deste modo, esse estado da inatividade permite que eles gastem menos energia. Ou seja, sua resposta é interna para a condição externa.

No estado da latência, as temperaturas corporais, a respiração e o batimento cardíaco são reduzidos. Isso ocorre de tal forma que o metabolismo desacelera no intuito de conservar parte da energia corpórea e para reter água. Tal ação é que vai manter equilibrado, fixando o nitrogênio mais tempo dentro do organismo (hipometabolismo). Certos animais podem acabar acordando da dormência por poucos e curtos períodos. Fazem isso para comer ou evacuar.

A estivação acontece nos:

  • Anelídeos;
  • Crustáceos;
  • Moluscos;
  • Insetos;
  • Anfíbios;
  • Peixes;
  • Répteis;
  • Aves;
  • Mamíferos.

Entretanto, alguns gêneros podem ser destacados, como:

  • Helix;
  • Cernuella;
  • Theba;
  • Helicella;
  • Achatina;
  • Otala (moluscos);
  • Mosquitos (artrópodes);
  • Alguns caranguejos da terra (ou crustáceos);
  • Vertebrados do tipo crocodilos ou tartarugas (répteis);
  • Peixes pulmonados, a piramboia, por exemplo.

Finalmente, vale ressaltar que algumas plantas passam também por um tipo de processo parecido, que se denomina “perfloração”.

Diferença entre hibernação e estivação

A estivação pode ser definida como um estado letárgico induzido nos animais, para se defenderem do excesso de calor. Assim, eles entram em um sono estival ou sono profundo. É praticada pelos animais que habitam nos climas tropicais ou nos desertos.

Já a hibernação ocorre quando os animais entram na dormência profunda a fim de superar as fases de frio, bem como indisponibilidade de alimentos. Durante todo esse período, o metabolismo fica mais lento, a temperatura e batimentos cardíacos se reduzem.

Existem outros meio utilizados por seres vivos que intentam a conservação de energia, tal como:

  • Hibernação – Acontece devido à condição climática, entretanto, somente quando existem temperaturas baixas e escassez dos alimentos são determinantes. Diferente da estivação – que é bastante variável, comumente levando a um estado leve de sonolência, a hibernação se caracterizada como uma inatividade do sono completa e profunda, e que dificilmente retrocede;
  • Torpor – Diferente da hibernação e da estivação, uma vez que sua duração é de períodos pequenos, onde se reduz o metabolismo. Por exemplo, o beija-flor, diariamente, entra nesse estado para poupar sua energia, já que tem um alto gasto energético;
  • Perfloração – Estado da latência que acontece em determinadas espécies de plantas, também no intuito de poupar energia e diferente da estivação.