Ciência

Entenda a lobotomia, intervenção cirúrgica e polêmica para “zerar o cérebro”

Lobotomia

Tempos atrás, a ausência de remédios e medicamentos fazia muitos médicos investirem na lobotomia como a opção única para tratar pessoas com doenças mentais. Para isso, eles desconectavam circuitos do cérebro que controlavam seus sintomas.

Entretanto, o resultado era criar pacientes inexpressivos, vegetativos e letárgicos. Contudo, nos dias atuais, essa técnica é considerada desumana e bárbara. Mesmo já sendo considerada um milagre em relação a doenças como depressão e esquizofrenia.

A cultura da prática milagrosa de perfurar o crânio

Sim, antigamente médicos achavam que esses procedimentos de lobotomia eram um milagre certo. Até por que, há milênios, muitas culturas adotaram a prática de furar crânios para eliminar espíritos malignos.

Contudo, o conceito por trás do processo apresentou diferenças na metodologia científica. Por que médicos do século passado acreditavam que doentes com comportamentos obsessivos e problemas mentais apenas apresentavam circuitos cerebrais com defeito.

Na década de 1930, foi encontrada uma nova solução técnica para a lobotomia. No caso, eram cortadas as fibras que ligavam neurônios em atividade. Assim, o procedimento acabou adaptado por demais doutores da área, mas o processo básico não foi alterado.

Como resultado, foram observadas melhorias sensíveis nos primeiros doentes. Com isso, a prática foi adotada também por outros neurologistas, resultando na primeira intervenção com lobotomia no ano de 1936.

Desde então, o procedimento ganhou dimensões globais. Aliás, nessa época, a lobotomia saiu dos Estados Unidos para, na década de 1940, ganhar o status de cura milagrosa no Reino Unido. A princípio, o número desses procedimentos chegou até a ser maior.

Todavia, mesmo com diversas oposições profissionais, essa cirurgia virou algo comum em terras britânicas. Visto que mais de mil cirurgias eram realizadas por ano para o tratamento de esquizofrenia, depressão e transtornos compulsivos.

O conceito de lobotomia

Cada hemisfério do cérebro humano é formado por lobos ou partes, chamados de occipital, frontal, temporal e parietal. Assim, o procedimento da cirurgia consistia basicamente na remoção de parte do cérebro, podendo ser parcial ou total.

Vale lembrar que, antigamente, a lobotomia tinha como função acalmar pacientes com doenças mentais. Hoje, essa técnica cirúrgica foi trocada por alternativas como psicoterapia e até mesmo medicamentos.

A tempo, o processo pode ser empregado para a remoção de tumores, por exemplo. Contudo, essa remoção de áreas cerebrais pode afetar funções cognitivas e motoras. Logo, no caso de extração de parte posterior do lobo frontal esquerdo, o paciente corre riscos de ter a fala prejudicada.

Ainda assim, a técnica é usada em casos de epilepsia, caso a doença não tenha controle mediante tratamentos usuais. Por isso que, aqui, remove-se a região responsável por descargas neuronais que dão origem às convulsões.

O procedimento da lobotomia como cura mental

Como você pode notar, a cura de transtornos mentais gerou a criação de cirurgias terríveis pela história. Embora a lobotomia tenha sido a pior invenção entre todas elas.

Primeiro, o processo tinha início com choques elétricos para o paciente ficar inconsciente. A seguir, um médico inseria no globo ocular, com o uso de um martelo, uma ferramenta como o quebra-gelo.

Após atingir o centro do crânio, ele girava o instrumento, visando cortar a conexão do lobo frontal com o resto do cérebro. Consequentemente, após o processo, muitos pacientes com comportamento agressivo demonstravam uma certa passividade.

Apenas em números da Europa e EUA, na década de 1970 a técnica da lobotomia foi feita em cerca de setenta mil pacientes. Por outro lado, milhares ficaram em estado chamado de vegetativo, ao passo em que cerca de quatro mil morreram.

Lobotomia

As divergências sobre o processo

De acordo com renomados neurologistas, o pioneiro da lobotomia foi um médico inconsequente. Até por que ele operava sem saber o que estava fazendo exatamente e não tinha nenhuma formação cirúrgica.

Outro resultado dos processos de lobotomia era a presença de convulsões em centenas de pacientes. Bem como a morte de outras dezenas que morriam durante a cirurgia. Visto isso, ainda tinham os médicos que eram contra a técnica, pois se paciente sobrevivesse, ele jamais seria o mesmo.

Sobre o mesmo ponto de vista, estavam os defensores da prática, pois diziam que a ideia era essa. Afinal, para eles, o sucesso da técnica crescia por que o importante era que a pessoa se adaptasse aos modos da sociedade.

Ainda sobre a palavra e análise de especialistas em psiquiatria, os resultados da lobotomia pareciam ser aceitáveis antigamente. Até por que as mortes, os graves efeitos colaterais, variações do humor e as mudanças severas de personalidade eram tidos como resultados vantajosos.

Enfim, com tantos problemas e falta de segurança, a partir da década de 1950 a lobotomia começou a perder popularidade. Afinal, estava ficando claro que os pacientes andavam pagando um alto preço para curar algo ainda pouco conhecido pela medicina.

A lobotomia frente a novas técnicas

No s dias de hoje, a medicina moderna conta com novos recursos e conhecimentos técnicos.  Como resultado de pesquisas, é possível contar com a Estimulação Cerebral Profunda, que pôs um fim nos processos de lesões e cortes cerebrais.

Para isso, os médicos fixam um arco na cabeça da pessoa, a fim de medir e mapear milimetricamente cada coordenada do cérebro. Então, por meio de softwares de computador, o cirurgião pode identificar as áreas estão super ou pouco estimuladas.

A seguir, é realizado um pequeno furo, onde será inserido um marca-passo. Por fim, esse dispositivo é ligado para funcionar como um gerador de pulsos, semelhante aos aparelhos cardíacos.

Enfim, a partir dos exames de imagem, são mostradas as áreas onde o cérebro tem que ser estimulado visando aliviar sintomas de problemas mentais. Sendo assim, confira abaixo algumas das doenças que podem ter solução com esse tratamento:

  • Transtornos de ansiedade;
  • Adição, ou dependência a vícios;
  • Casos de depressão;
  • TOC, ou Transtorno Obsessivo Compulsivo;
  • Altos níveis de agressividade;
  • Síndrome de Tourette.

Vale lembrar que, ao contrário da lobotomia, essa técnica ainda é amplamente usada para curar e alivio de outros problemas graves de saúde. Como exemplos principais, temos os casos de agressividade incurável e até tratamentos de Parkinson. Além do mais, a taxa de mortalidade não chega a meio por cento e são raras as suas complicações.