Língua Portuguesa

O que é intertextualidade e quais os tipos?

A intertextualidade é um recurso de “conversa” entre textos. Ou seja, é a influência e relação que um estabelece sobre o outro.

Em outras palavras, intertextualidade é um diálogo entre dois ou mais textos, que não precisam ser necessariamente de um mesmo gênero, desse modo a relação pode ser estabelecida entre as produções textuais que apresentem diversas linguagens (visual, auditiva, escrita), sendo expressa nas artes (literatura, pintura, escultura, música, dança, cinema), propagandas publicitárias, programas televisivos, provérbios, charges, dentre outros.

Veja também – O que é Adjetivo

Para a identificação de uma intertextualidade, portanto, é possível ter um conhecimento dos chamados textos-fonte, os quais precedem a criação do texto atual. Isso significa que a interpretação de texto não depende apenas do conhecimento da língua, mas também das relações intertextuais que influenciam de maneira decisiva o processo de compreensão e de produção de textos.

Tipos de intertextualidade

Qualquer produção que faça menção à um texto já feito é considerada intertextualidade, mas temos como principais tipos:

  • Paródia: alusão à um texto anterior e aparece geralmente em forma de crítica irônica de caráter humorístico.
  • Paráfrase: recriação de um texto já existente mantendo a mesma ideia contida no texto original, entretanto, com a utilização de outras palavras.
  • Alusão: Faz referência aos elementos presentes em outros textos.
  • Citação: Acréscimo de partes de outras obras numa produção textual, de forma que dialoga com ele;

Outras formas que podemos citar de intertextualidade são o sample, o pastiche, a tradução e a bricolagem.

Intertextualidade implícita e explícita

A intertextualidade explícita é aquela que é facilmente identificada pelos leitores, que estabelece uma relação direta com o texto fonte, como por exemplo em citações ou até em paródias.

Por outro lado, a intertextualidade implícita é aquela mais mascarada, que exige um pouco mais de atenção do leitor para captá-la, pois não apresenta elementos que identificam o texto fonte.

Exemplos

Um exemplo de intertextualidade mais conhecido na literatura brasileira é o poema Canto de Regresso à Pátria, de Oswald de Andrade, cujo texto fonte é o poema Canção de Exílio, de Gonçalves Dias, veja abaixo:

Canção do Exílio (texto fonte)

Minha terra tem palmeiras,

Onde canta o Sabiá;

As aves, que aqui gorjeiam,

Não gorjeiam como lá.

Nosso céu tem mais estrelas,

Nossas várzeas têm mais flores,

Nossos bosques têm mais vida,

Nossa vida mais amores.

Em cismar, sozinho, à noite,

Mais prazer encontro eu lá;

Minha terra tem palmeiras,

Onde canta o Sabiá.

Minha terra tem primores,

Que tais não encontro eu cá;

Em cismar – sozinho, à noite –

Mais prazer encontro eu lá;

Minha terra tem palmeiras,

Onde canta o Sabiá.

Não permita Deus que eu morra,

Sem que eu volte para lá;

Sem que desfrute os primores

Que não encontro por cá;

Sem qu’inda aviste as palmeiras,

Onde canta o Sabiá.

(Gonçalves Dias)

 

Canto de Regresso à Pátria (intertextualidade)

Minha terra tem palmares

Onde gorjeia o mar

Os passarinhos daqui

Não cantam como os de lá

Minha terra tem mais rosas

E quase que mais amores

Minha terra tem mais ouro

Minha terra tem mais terra

Ouro terra amor e rosas

Eu quero tudo de lá

Não permita Deus que eu morra

Sem que volte para lá

Não permita Deus que eu morra

Sem que volte pra São Paulo

Sem que veja a Rua 15

E o progresso de São Paulo.

(Oswald de Andrade)

Outro exemplo, dessa vez visual, são as diversas recriações da famosa pintura de Leonardo da Vinci, Mona Lisa.

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