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Significado de obsessão: conceitos e definições

Poucas situações podem representar tão bem o que pode ser a obsessão de uma pessoa – neste caso – por outra pessoa, do que a apresentada no filme Atração Fatal, estrelado por Michael Douglas, Glenn Close e Anne Archer. Depois de um caso fortuito entre os personagens de Michael e Glenn, a vida dele e esposa (Anne) vira simplesmente um inferno, porque ela (Glenn) julga-se dona dele.

A obsessão é assim, não tem limites. Tanto que, nos tempos antigos, lá pela Idade Média, os estudiosos explicavam a obsessão como uma representação que o espírito da pessoa fazia ao demônio. Seria a obsessão, portanto, algo demoníaco. Exageros daquela época, é claro, mas isso dá uma dimensão do estágio a que essa doença pode levar uma pessoa.

Obsessão por uma pessoa ou coisas

Já a moderna psicologia explica a obsessão como um apego exagerado que a pessoa tem a determinando sentimento ou ideia. Na verdade, é possível dizer que se trata de uma mistura de tudo isso aí, excluindo o demônio – a pessoa é tomada de um sentimento sobre o qual não tem domínio. É como se uma droga se apoderasse do seu ser, dominando-o por inteiro.

E olha que a obsessão não ocorre apenas em relação a outra pessoa, algo como um incontrolável amor doentio. Ela também se dá em relação a diversas outras coisas, como por determinados alimentos – o que faz a pessoa engordar exageradamente – ou por coisas, como aqueles acumuladores que enchem suas casas de porcarias que não servem para nada. Ou seja, é uma doença.

O cérebro ‘chapado’ de dopamina

Exatamente como quem é viciado em drogas e, depois, não consegue se livrar da porcaria. Foi o que descobriram as pesquisadoras norte-americanas Lucy Brown e Helen Fisher, segundo estudos realizados há alguns anos. Suas pesquisas mostraram que essa paixão desenfreada literalmente deixa o cérebro ‘chapado’ de dopamina, elemento químico liberado para que a pessoa se sinta eufórico.

Isso ocorre também numa paixão normal, sem exageros ou obsessão. A dopamina é liberada no momento em que você se encontra com seu amor e sente aquela sensação de bem estar, de gostar mesmo de alguém.

Situação que a química também explica

O problema, no caso da obsessão, é o exagero da dopamina liberada e faz o amor transformar-se em vício – literalmente, é uma droga. Quando não consegue ter o amor desejado, isso equivale à falta da droga ao viciado – a pessoa vai à loucura. Bem como mostrada no filme Atração Fatal. É preciso ter aquela pessoa – ou aquele alimento ou treco qualquer – a qualquer custo.

Se a química tem essas explicações, a psicologia interpreta a obsessão como um distúrbio psíquico que é produzido pelo cérebro a partir de uma ideia fixa, que pode ter diversos objetivos – o ‘amor’ a uma pessoa, o desejo de algum alimento ou apenas acumular tranqueiras.

Um constante sentimento de dúvida

O assunto é estudado há muitos anos, tanto que obsessão vem do latim obsessio, que significa cerco. De acordo com vários estudos, trata-se de um distúrbio que pode ter origem na infância da criança, a partir de proibições e até castigos impostos por pais ou responsáveis. Essa repressão acumula-se no cérebro da criança e renasce na fase adulta, a partir da obsessão pela coisa ou coisas proibidas.

Como já foi dito, a obsessão pode ocorrer a partir de muitas variáveis. Uma delas é conhecida como anancástica, definida como um transtorno de personalidade em que a pessoa se caracteriza por um constante sentimento de dúvida. Neste caso, as origens foram mesmo encontradas na infância da pessoa.

Comum em pessoas com baixa autoestima

A anancástica também se manifesta por uma ideia de perfeccionismo estonteante, que pode ser por limpeza ou de não ver nada fora do lugar – lugar em que esta pessoa costuma guardar estes objetos, como móveis. O distúrbio é definido como síndrome de anancástica e torna estas pessoas intolerantes e muito rígidas, mesmo com familiares e amigos.

Assim como a obsessão em casos de amor, são problemas definidos clinicamente como doentios, ou seja, podem e devem ser tratados a partir da medicina. Do ponto de vista psicológico, os profissionais definem estas como pessoas que possuem baixa autoestima, o que as leva ao apego exagerado a outra pessoa ou a objetos.

Consequência é o desgaste emocional

No caso da anancástica, a obsessão transforma-se num sentimento de dominação sobre as pessoas próximas, como parentes e amigos, provocando irritação e levando, em consequência, a que todos se afastem do indivíduo doente por não entenderem o seu comportamento ou não possuírem as informações suficientes de que se trata de caso clínico.

Este indivíduo dá importância excessiva a detalhes pouco importantes, triviais, que vão da disposição de móveis – como já dito – a horários e formalidades que pessoas normais desconsideram. Isso acaba resultando naturalmente num desgaste emocional de todos que fazem parte do círculo de relacionamento da pessoa com o distúrbio.

Sentimento diferente do fascínio

Os psicólogos explicam que a obsessão é parente bem próxima da fascinação. Esta, entretanto, é definida como um estado ou sentimento em que a pessoa mostra-se admirada ou, mesmo, espantada com o comportamento de outra pessoa ou algum fenômeno interessante. Esta admiração pela pessoa – no caso da fascinação – pode ser pelo seu conhecimento ou até sua beleza. Mas, é um sentimento que pode ser classificado como bom, enquanto a obsessão chega a ser um comportamento ruim.

Embora o fascínio também possa chegar a uma situação de exagero, tornando-se, portanto, também nocivo e ruim, ele é geralmente classificado como positivo. O fascínio é bastante encontrado entre alunos por seu professor ou professora, independentemente de sexo. Não é um caso de amor, mas, de admiração.

Perigo do amor virar obsessão

Este, o amor, é sempre um sentimento bom, que se transforma em doença ao aproximar-se da obsessão. A distinção pode começar a ser observada a partir do momento em que a doença faz a pessoa querer a dominação sobre a pessoa pretensamente amada – ou seja, é um amor obsessivo, doentio, dominador.

Embora seja uma fronteira tênue e nem sempre facilmente observada, é possível sim conhecer o momento em que um amor está transformando-se – ou já virou – obsessão.

A obsessão pode ser tratada

Também há o caso, porém, em que a obsessão ocorre com uma pessoa que nem é conhecida ou amiga – e estes casos de obsessão podem ser os mais perigosos. É preciso saber que tanto a medicina como a psicologia indicam que a obsessão é tratável e pode ser revertida. Trata-se de boa notícia para uma situação que tende a virar para o desagradável ou, mesmo, muito perigosa.