Arte

Cubismo: entenda definitivamente seu conceito e significado

Cubismo é um movimento artístico de vanguarda europeia, que originou da França no início do século XX e tem como principal característica é o retrato da natureza através de figuras geométricas.

Definição:

  • Origem: Do francês “Cubisme”, união das palavras “cubo” + ismo. Ou seja, uso de cubos. No Brasil a palavra foi adaptada para “Cubismo”.
  • Sinônimos: Não há.
  • Classe gramatical: Substantivo masculino.

Saiba mais sobre o que significa Cubismo

O cubismo é um movimento artístico do início do século XX que se desenvolveu nas artes plásticas e se expandiu para a literatura e poesia alguns anos depois. Ele é um movimento vanguardista europeu originado na França.

Apesar de ter sido inaugurado em Paris, é o consagrado pintor espanhol Pablo Picasso (1881 – 1973) o responsável por marcar o início do movimento com o quadro “Les demoisellers d’Avignon” (em português, “As Senhoritas de Avignon) em 1907”.

A principal característica do cubismo é representar figuras da natureza por meio do uso de figuras geométricas, resultando em perspectivas e planos fragmentados e decompostos. Diferentemente do que acontecia no Realismo, o artista não tem a intenção de representar a realidade e coloca em suas obras coisas naturais, como flores, pessoas e animais em formas abstratas. Ele quer maior liberdade para retratar o seu mundo.

O objetivo do pintor cubista é tentar representar objetos tridimensionais em uma superfície plana. Para isso, ele abusa das formas geométricas, principalmente com linhas retas. Desta forma, ele não representa, mas sugere silhuetas que sejam entendidas. É como se houvesse movimento entre eles. Uma das características é ser compreendido de formas diferentes conforme ângulos visuais são alterados.

Ainda assim, o cubismo não é uma arte abstrata já que todas as formas são usadas de forma concreta. Por falar nelas, o movimento é rico em cubos, esferas, cilindros e triângulos. Ela é considerada uma arte mental, uma vez que força as pessoas a analisarem suas obras levando em consideração suas próprias experiências e formas de enxergar a realidade.

Além de Pablo Picasso, outros grandes expoentes deste movimento artístico são Georges Braque (1882 – 1963), francês que divide com o espanhol o título de iniciador do cubismo, Fernand Léger (1881 – 1955) e Juan Gris (1887 – 1927). No Brasil, a principal artista deste estilo é Tarsila do Amaral (1886 – 1973).

O movimento cubista passou por três momentos diferentes. O início se deu naquilo que ficou conhecido como “cubismo cézanniano” (1907 – 1909) – ele também é chamado de “cubismo pré-analítico”. Nesta primeira fase, Paul Cézanne (1839 – 1906) serviu como base para o fortalecimento do cubismo. Seu trabalho era influenciado pelas artes africanas.

Como o artista fazia muito uso de formas simples, ele ajudou a definir as características do cubismo, ainda que nas suas obras nem todas elas fossem encontradas. Porém, muitos de seus conceitos foram popularizados por nomes como o de Pablo Picasso alguns anos depois.

A segunda fase ficou conhecida como “cubismo analítico” (1909 – 1912), também tendo sido nomeado de “cubismo puro”. Aqui as figuras já são decompostas devido ao forte uso de variadas figuras geométricas.

As obras ainda sofriam forte influência da cultura africana, apresentando tons monocromáticos, principalmente do cinza, marrom e verde. Nesta fase os artistas sentiam a necessidade de representar a natureza de uma forma muito simplista. Para isso, usavam linhas retas e desenhos uniformes.

A última fase do movimento europeu de vanguarda foi o “cubismo sintético” (1913 – 1914), que se popularizou também pelo nome de “cubismo de colagem”. Como o próprio nome sugere, este momento final se caracteriza pela introdução das técnicas de colagem nas obras. As colagens tinham como objetivo fazer o processo reverso e reconstruir as imagens que antes haviam sido decompostas.

Nesta etapa, as imagens ainda são sugestivas e mantêm suas formas. Porém, diferentemente do cubismo analítico, aqui ela ocorre de forma mais amena, deixando claro apenas o necessário para que a imagem seja reconhecida – sua compreensão ainda é individual.

Outra mudança da terceira fase do cubismo é a transição de cores monocromáticas para palhetas mais vivas. Nem todos os artistas aderiram a este novo conceito, mas nomes importantes, como Juan Gris optaram por realizar obras mais intensas.

No Brasil, os primeiros registros da manifestação do cubismo datam de 1922, após a realização da importante Semana de Arte Moderna. Aqui, o movimento não conseguiu ter a mesma força que alcançou anos antes na Europa.

Na verdade, não houve nenhum artista brasileiro que aderiu às técnicas do cubismo em sua essência mais pura. O que se vê nas obras tupiniquins são algumas características que foram adotadas e que serviram como inspiração para importantes nomes, como, Di Cavalcanti (1897 – 1976), Rego Monteiro (1899 – 1970), Anita Malfatti (1889 – 1964) e Tarsila do Amaral.

Apesar de não ter sido tão impactante por aqui, o cubismo foi um período importante e serviu de influência para outros grandes movimentos que aconteceriam mais tarde. Exemplo disso é o Concretismo.

Na literatura, o cubismo também se manifestou de forma muito peculiar. Nos poemas, a desconstrução ocorre nos versos. Não há descrição e cada verso é autônomo. As ideias são valorizadas e aparecem em versos simples.

Outra característica é a falta de linearidade e cronologia nas narrativas. Passado, presente e futuro se misturam e cabe ao leitor entende-los. Os artistas não querem lirismo fácil e o sentimentalismo que eram típicos da época. Eles fazem bastante emprego do humor com alguma ironia.

Como se a falta de um ordenamento histórico já não fosse o suficiente para possibilitar interpretações diferentes, os escritores cubistas eram adeptos de visões misteriosas, ambientações exóticas e viagens rápidas. Assim como nas obras plásticas, as literárias deviam estimular o leitor a observar de diferentes ângulos. Com variadas perspectivas ele seria capaz de interpretar da sua forma.

O objetivo do cubista era retratar a realidade de uma maneira mais simples do que estamos acostumados a enxergar. Muitas vezes, isso resultava em obras sugestivas e que permitiam mais de um julgamento.