Religião

Apoteose é a elevação de alguém ao estado de divindade

Apoteose

Já ouviu falar de santo ou então de deuses entre os homens? Desde os primórdios, o ser humano sempre buscou a divindade nas coisas e em si mesmo e existem aqueles que encontraram. Para esse fenômeno, damos o nome de apoteose. Se você quer entender mais, basta conferir abaixo.

O que significa apoteose?

A palavra “apo”, do grego, significa mudar e “theos” significa deus. Logo apoteose significa se transformar em um deus, deificar, ou ainda, tornar em divino. Era comumente usado entre os gregos ao elevar um humano, mas também está presente em inúmeras culturas ao redor do mundo.

Basicamente a palavra se refere a pessoas que alcançaram o nível de divindades ou, ao menos, que assim foram consideradas. São incontáveis situações em que isso acontecem em diversos momentos históricos, mas vamos citar alguns importantes.

Apoteose na Grécia

Os deuses gregos, presentes em inúmeras culturas até hoje, são um exemplo da utilização. Se a palavra surgiu nesse idioma, já dá pra entender que o fenômeno acontece bastante por aqui, não é? Um exemplo claro é o Hércules, que nasceu como semi-deus, mas depois se tornou um deus completo. Mas se você não quer contos e sim casos reais…

Filipe II, por exemplo, tinha as honras dos deuses (auto-instituídas, entretanto) e as próximas gerações de governantes usufruiriam dos mesmos benefícios, que seriam copiados em Roma.

Alexandre o Grande, foi tratado como faraó no Egito e todo faraó era considerado um deus. Mesmo que fosse Macedônico recebeu todas as honras.

Apoteose em Roma

É claro que vou falar de Júlio César, pois foi tratado como uma divindade em Roma, recebendo todas as honras em sua morte. Ele ficou próximo de se casar com Cleópatra e se tornar um faraó, recebendo todas as regalias e considerações divinas no Egito, assim como Alexandre o Grande recebera. No entanto, preferiu voltar para Roma.

Apoteose no Antigo Egito

Todo mundo sabe que os faraós eram tratados como deuses. De fato, eles eram considerados reencarnações de divindades na terra. Todos eles eram deificados em vida, mas principalmente em morte. Os antigos egípcios acreditavam na libertação da alma na morte.

Apoteose no hinduísmo

Embora não leve esse nome, a apoteose é faz parte da essência do hinduísmo, pois existe a crença em Iluminação ou Nirvana, que é quando o ser humano se liberta da matéria e para de reencarnar e viver experiências ruins, alcançando a felicidade divina. Um estado de perfeição e livre do ego.

Muitos monges e iogues declaram ter alcançado esse estado e geralmente são muito seguidos, criam-se templos com seus ensinamentos e são passados por muitas e muitas gerações. Muitos deles são considerados santos e deificados. Alguns são considerados a própria reencarnação de deuses.

Apoteose no budismo

O budismo em essência é igual o hinduísmo, creem na iluminação e chamam de Satori. O conceito é o mesmo, onde o ser humano se livra do ego e alcança os estados divinos. Seres que alcançam esse estado são chamados de Budas e costumam ser deificados.

Apoteose

Apoteose no cristianismo

No catolicismo é comum a oração a santos, como Maria ou São Pedro, que são humanos que foram divinizados, considerados próximos de Deus e intercessores. No caso de Jesus é um pouco diferente, pois ele é considerado o próprio Deus encarnado.

Ela também considera que existe a teose (theosis), que é quando alguém se torna próximo a Deus por meio de Cristo. Basicamente é a mesma coisa que apoteose, mas adaptada para um conceito onde não é instituído por homens e sim por Deus.

No judaísmo

Assim como no cristianismo, existem vários profetas, sendo que alguns deles, principalmente Moisés, foram considerados divinos. Até mesmo passagens bíblicas dão a entender exatamente que Deus tornou Moisés em um ser divino.

No islamismo

Vale citar que o islamismo também interpreta a bíblia e segue o ensinamento de muitos profetas, mas principalmente Maomé. Nesse caso os islâmicos acreditam fortemente que são uma religião santa, então podemos citar uma apoteose em massa. Claro que ela é considerada lenta e gradual, nenhum islâmico se considera um santo.

No espiritismo

O espiritismo acredita em evolução, sendo os espíritos menos evoluídos os violentos e maldosos e os mais evoluídos os grandiosos como Jesus. Inclusive acreditam que Jesus foi um ser extremamente divino e o espírito de mais alto grau que já esteve na Terra. De certa forma, defendem que todos nós estamos em processo de divinização.

Na umbanda

A umbanda tem certos quesitos parecidos com o espiritismo, incluindo a questão de evolução. A comunicação com os espíritos e Orixás, se dá de maneira em que a pessoa vai se refinando e melhorando, se santificando cada vez mais por meio de suas vidas.

No candomblé

O culto aos Orixás é parecido com o da Umbanda em muitos aspectos, mas existe a incorporação dos próprios Orixás, isso é, Deus manifesto na matéria, o que se encaixa em deificação. Inclusive o nome “Pai de Santo” não é a toa, pois todos ali estão em processo de trazer a sua santidade a tona.

Outras interpretações

A apoteose tem outras interpretações quando aplicada na arte, por exemplo, ao citar algo que foi feito com perfeição, como uma orquestra virtuosa. Nas artes visuais e plásticas, referências sobre divindades, como a Capela Sistina de Michelangelo, ou até mesmo sobre um nível artístico altamente elevado, como no caso dos quadros de Da Vinci.

Artistas de todas as épocas também estiveram sendo considerados divinos ou relacionados, como Bach que sempre declarou estar próximo de Deus ao compor, ou Vivaldi. Mesmo não havendo relação com a igreja, os virtuosos sempre foram indiretamente considerados divinos ou abençoados por Deus com um talento.

Considerações finais

A apoteose está presente em praticamente todas as culturas do mundo de inúmeras maneiras diferentes, sempre exaltando o divino no homem que é buscado na natureza ou dentro de si. Apesar de ser possível escrever um livro para a apoteose de cada religião e como se aplica, você já conseguiu entender o básico para compreender como esse fenômeno está presente no nosso cotidiano.