Geral Religião

Coelho da Páscoa: origem e significado

“Coelhinho da Páscoa que trazes pra mim? Um ovo, dois ovos, três ovos assim”. Quem nunca ouviu essa canção fazendo referência ao coelho da Páscoa em uma das épocas mais adoradas pelas crianças (e adultos também), o dia de massacrar a dieta com uma overdose de doces em formato de ovo enquanto se celebra, para os cristãos, a ressurreição de Jesus Cristo?

E deve já ter feito essa pergunta que provavelmente poucos souberam explicar ou fornecer uma resposta satisfatória: “mas o que diacho tem a ver um coelho distribuindo ovos de chocolate, sendo que é de conhecimento comum que não bota ovo, e com a ressurreição de um dos ícones cristãos?”.

Adiantando: é uma salada, são várias versões que tentam explicar a origem do mito do coelho da Páscoa. E se você sempre teve curiosidade de saber a origem dessa lenda e seu significado em termos religiosos, não se desespere com o fato de não haver uma origem clara.

Já que chegou até aqui, cabe verificar cada versão e decidir qual é a mais interessante, que rende a melhor história.

No entanto, não se engane quanto ao simbolismo concernente a religião mais conhecida, é possível precisar o que representa exatamente.

Então se você quer saber um pouco da história por trás das origens do mito do coelho da Páscoa, confira o texto abaixo preparado por nós do Definição.Net.

Inocência de criança

Dentre as várias versões apresentadas sobre a origem do coelho da Páscoa, vamos começar com a mais simplória apenas para aquecer.

Conta-se que uma mulher muito pobre, para não deixar de presentear os filhos na manhã da celebração religiosa, pintou ovos coloridos em um ninho pretendendo fazer uma surpresa a prole. Contudo, no momento da descoberta, as crianças foram surpreendidas com um coelho que passou velozmente sobre o local espalhando os ovos.

Os infantes, na inocência deles, acreditaram que fora o coelho o responsável por entregar aqueles ovos especiais e naturalmente espalharam a notícia desse evento extraordinário aos amigos e familiares, motivando a criação do mito.

Adultos brejeiros

Essa versão sobre a origem da lenda do coelho da Páscoa é datada do século XVIII e aponta-se que ocorreu no solo dos EUA ainda na condição de colônia da última monarquia do Mundo. Mas não cai no colo dos yankees a autoria do coelho da Páscoa, nesse caso, ao menos isso, que se piscar o olho, vão tentar te convencer que inventaram a roda e o fogo, (assim como falam que inventaram o avião).

São os germânicos os responsáveis, segundo essa versão, de erigirem o mito do coelho da Páscoa. E ocorreu da seguinte forma, nesse caso: na época da Páscoa era muito comum para os alemães esconderem em grandes quintais ovos de galinhas pintados à mão para que as crianças os procurassem.

Os coelhos que habitavam alguns desses recintos, testemunhando aquela movimentação atípica ficavam todos agitados e, como consequência do frenesi, saltavam de suas tocas como nunca.

Os alemães, provavelmente entre um chope e outro, atentando-se a esse detalhe, acharam por bem elaborar uma estória que unissem os três elementos que se destacavam no campo de visão: crianças, ovos, coelhos e Páscoa.

Desde então passaram a contar aos pequenos que quem na verdade trazia os ovos e escondiam na terra eram os orelhudos saltitantes.

Agora talvez esteja se perguntando, “mas por que diacho os alemães tinham o hábito de esconder ovos pintados a mão na terra para as crianças procurarem na Páscoa?

Senta que lá vem a história a seguir.

O velho mundo, a deusa e o coelho da Páscoa

Os alemães e anglo-saxões tinham como costume, no mês de abril, celebrar uma festa em honra da “Deusa da Aurora”, significado de seu nome traduzido de “Ishtar”, “Ostara”, “Eostre”, “Ostera” ou “Easter”.

O nome Ostara, aliás, dá origem a palavra Ostern e Easter, que significam “Páscoa” em alemão e inglês, respectivamente.

Esses povos tinham como hábito cultuar essa deusa nesse período do ano por marcar o início da Primavera, consequentemente “a volta do sol”, pois o dia e a noite passam a ter a mesma duração após o inverno. A celebração para Ostara tinha o significado de comemorar e agradecer o despertar da terra, a renovação. Um dos rituais da festividade era o de decorar ovos de galinha que tinham o papel de representar a fertilidade da deusa que marcava a fertilidade do solo.

Além de decorá-los era comum escondê-los para depois tentar encontrá-los.

Com o decorrer do tempo, essa atividade de caça ficou restrita as crianças.

Diz a lenda que o animal favorito de Ostara era os coelhos, por isso era sempre retratada em quadros com o animal por perto.

A lenda de Ostara ainda relata que ela tinha especial apreço por crianças por essas sempre a adorarem e se encantarem com os seus poderes. Um dia ela transformou um pássaro no animal que ela mais gostava, um coelho, para fascinação das crianças. No entanto, o pássaro transformado em coelho ficou entristecido com o fato de não poder mais voar, o que fez as crianças clamarem a deusa para que desfizesse a transformação. Ostara atendeu ao pedido das crianças e o pássaro, como forma de agradecimento, pintou ovos e passou a distribuir mundo afora.

Na religião

A igreja católica cristã usou mais uma vez da tática de adaptar cultos pagãos para o cristianismo para aumentar a popularidade de seus ritos no caso do coelho da Páscoa.

Como apontado, a presença da imagem de coelho em celebração na época da Páscoa fazia parte de um culto pagão, como era muito difícil fazer boa parte da população acostumada a celebrar festividades já tão tradicionais abandonar velhos hábitos para seguir outros, resolveu-se incorporar o bichinho nas tradições cristãs, afim de que os cidadãos fossem mais receptivos a participar dos eventos importantes da religião.

Como o coelho era um símbolo de renovação da vida, de esperança, porque eram os primeiros animais a saírem da toca com a chegada da primavera, depois de ficarem hibernando durante todo o inverno, foi determinado que o coelho seria uma das representações da ressurreição de Cristo.

Com o passar do tempo, os ovos trazidos pelo coelho da Páscoa passaram a ser de chocolate, bem mais atrativo para a criançada do que os ovos de galinha.

Considerações finais

São muitas as versões sobre a origem do coelho da Páscoa, há quem diga que remonta a uma festividade pagã a deusa Ostara, que tinha como animal predileto o coelho, adorava crianças e um dos símbolos que a representava a sua fertilidade era um ovo.

Outros apontam que teria origem em um evento inusitado envolvendo uma mulher pobre querendo dar ovos de galinha pintados a mão aos seus filhos.

E já outros indicam que a lenda teria surgido, ao menos se solidificado, no século XVIII, nos EUA, por parte dos imigrantes alemães, que resolveram juntar em uma estória a tradição de enterrar ovos de galinha pintados a mão, para a criançada procurar, na época da Páscoa com os coelhos que viviam no local.

O coelho na religião cristã é um dos símbolos da ressurreição de Jesus Cristos, por ser um dos animais que representa a renovação da vida, a esperança, por ser o primeiro a sair da toca no começo da primavera, término do inverno.

Gostou do conteúdo?

Então curta, compartilhe, avalie.

Sua opinião é muito importante para nós.

Leia mais de nossa sessão geral.

Comentar