Língua Portuguesa

O que é neologismo? Qual o significado? Uso e exemplos

O neologismo ocupa um papel de destaque dentro da língua portuguesa, todavia, está longe de ser um dos mais comuns no dialeto popular. Essa impopularidade, por sua vez, talvez seja a grande responsável pela estranheza que o termo causa quando apresentado pela primeira vez.

Felizmente, sua explicação não tende a ser necessariamente complexa, e a prova disso é que aqui nesse espaço buscamos simplificar ao máximo o assunto. A ideia é permitir que qualquer pessoa, por mais leiga que seja em relação às figuras do nosso idioma, consiga compreender claramente do que se trata o neologismo.

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De antemão, portanto, podemos dizer que de modo simples se trata de um fenômeno linguístico. Este, por sua vez, é caracterizado pela criação de uma expressão ou termo novo, ou ainda pela concessão de um sentido diferente para um termo que já existe no idioma.

Para a sua perfeita compreensão, portanto, é importante partir da ideia de que a língua não é e nunca foi um acontecimento estático, muito pelo contrário. Trata-se de um fenômeno mutável que de tempos em tempos sofre alterações, geralmente por consequência de um ou mais fatores, incluindo culturais, regionais e comportamentais, por exemplo.

Com isso em mente, temos então o fato de que o falante nativo, com seu domínio inconsciente do idioma e a linguagem perfeitamente internalizada, tem capacidade de se expressar através de palavras inéditas, por assim dizer. Normalmente isso ocorre quando há necessidade de dizer algo e não se encontra a palavra perfeita para a ocasião.

Na prática, isso é neologismo, mesmo que muitas vezes o indivíduo sequer se dê conta de que está utilizando um ou mais processos linguísticos, tais como a sufixação, aglutinação, prefixação ou até justaposição. A seguir falamos mais claramente sobre isso e como é possível compreender esse termo e sua aplicação através de exemplos simples.

Simplificando o assunto

Conforme adiantamos inicialmente, o neologismo é basicamente o ato de formar novas palavras e/ou expressões dentro do idioma. Na maioria das vezes, esses novos termos nascem a partir de uma necessidade de preencher uma lacuna dentro da linguagem, podendo ela ser temporária ou permanente.

Para simplificar isso, portanto, podemos dizer que se trata de falantes nativos de um idioma criando novas palavras, seja de modo formal ou informal.

Entendida essa parte, é hora então de partirmos para a formação desse conceito, afinal, tal qual qualquer figura linguística, existem algumas premissas básicas para sua concepção. Vamos a elas.

neologismo

A formação do neologismo

Compreender como se forma o neologismo não é uma tarefa das mais difíceis. Apesar disso, além de entender que ele se dá através de processos de aglutinação, sufixação, justaposição e prefixação, conforme sugerido antes, é importante saber que também pode ser classificado em três categorias distintas. Essas categorias são os do tipo semântico, sintático e lexical.

Não obstante, ele também pode ser identificado como permanente, transitório ou até momentâneo, dependendo do contexto em que é utilizado e das relações semânticas dentro do idioma. O próximo passo agora é conhecer cada uma das categorias de neologismo.

Semântico

O neologismo do tipo semântico é aquele em que o indivíduo utiliza um ou mais termos existentes e atribui a este(s) um novo sentido dentro de uma frase. Alguns dos exemplos são:

  • Ester parece a fim de Tiago (Ester quer um relacionamento com Tiago);
  • Infelizmente não poderei ir, deu zebra por aqui (algo não saiu como esperado);
  • Sem emprego, Roberto agora vive de fazer bicos (trabalho de caráter temporário).

Lexical

No caso do neologismo lexical, a questão muda um pouco de figura porque também pode incluir derivações de termos próprios. Nesse caso, é possível tomar “emprestado” um termo em particular para criar um derivado do mesmo sem a necessidade de seguir padrões de formalidade. Alguns exemplos simples são:

  • Depois eu vou “googlar” sobre esse assunto para entendê-lo melhor (utilizar o Google para fazer uma pesquisa);
  • Preciso me aperfeiçoar no internetês (linguagem pautada em gírias próprias da internet);
  • Aquele sujeito parece meio abobado (alguém bobo).

Sintático

Por fim, temos aqui o padrão do tipo sintático, onde o neologismo passa a fazer parte de uma construção sintática que lhe atribui um significado peculiar, mas segue um padrão mais específico. Entre os exemplos estão:

  • Tomei um bolo no encontro que marquei para ontem (bolo = a outra pessoa não compareceu no encontro);
  • A operação-fulanadetal revelou casos de corrupção em diversos estados;
  • A Igreja Católica vem sendo reinventada a partir da papalização pautada na humildade;
  • A não-ação pode ser tão nociva quanto a ação descabida.

Diferença do neologismo em relação ao estrangeirismo

Compreendidas as diferenças entre os tipos/categorias de neologismo, é importante agora compreender que ele pode ter diferenças consideráveis em relação ao estrangeirismo.

Enquanto o primeiro diz respeito ao surgimento e/ou adaptação de vocábulos do nosso idioma sem qualquer preocupação com eventuais empréstimos linguísticos, a segunda se vale justamente de termos de outras línguas para criar uma nova expressão para o vocabulário.

Dentre os exemplos nesse caso, podemos destacar:

  • O termo futebol, que é uma palavra adaptada do inglêsfootball“;
  • O termo buquê, que vem do francês “bouquet“;
  • O termo abajur, que é proveniente do termo francês “abat-jour“.

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Onde usar o neologismo?

Em relação à aplicação, a verdade é que não há limites para o uso desse recurso. No cotidiano, aliás, seu uso é bem mais rotineiro do que muitos imaginam, até porque, conforme já sugerimos anteriormente, muitas vezes acontece de maneira inconsciente.

Eles podem ser empregados em diálogos, sejam pessoalmente ou na internet, ou até mesmo em palestras, músicas e obras literárias, dentre outros.

Aperfeiçoando o conhecimento no assunto

Para quem deseja se aprofundar um pouco mais no estudo sobre o neologismo, temos a seguir algumas sugestões de obras que merecem atenção. São elas:

  • Estudos de Neologismos, obra de Jéssica Câmara Siqueira;
  • Neologia em Português, da Série Estratégias de Ensino, obra de Margarita Correia;
  • Neologismos de Língua Inglesa, obra de Martha Steinberg;
  • Teoria Lexical, obra de Margarida Basílio;
  • Viva a Língua Brasileira, obra de Sérgio Rodrigues.

Essas sugestões tendem a ser particularmente interessantes para estudantes, profissionais da escrita que desejam se aperfeiçoar no tema e até mesmo professores que desejam dominar as competências do idioma.

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