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Ajayô: saiba tudo sobre essa expressão africana

Ajayô é um termo de origem africana, cercado de significância religiosa e cultural. Tem o sentido de “sopro da saudação feita a Oxalá”.

Tal expressão é comumente citada – com semelhante sentido – quando se quer dizer “se Deus permitir”, “quisera Deus” e “tomara”. Usa-se também para saudar alguém em sua chegada ou partida.

A origem da palavra tem prováveis ligações com a mitologia africana, bem como com as religiões do continente. Pode-se relacionar com as saudações feitas a Oxalá, um dos orixás mais significativos do Candomblé.

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A imagem de Oxalá é bastante respeitada, uma vez que dentro do Candomblé esse orixá é tido como criador de nós, seres humanos. Sem contar que faz jus ao título de símbolo da paz. Oxalá é a representação das forças de criação de toda a natureza.

A palavra Ajayô é amplamente utilizada como forma de saudação pela comunidade de afoxé Filhos de Gandhy. O grupo tem bastante reconhecimento por conta dos desfiles que faz pelas vielas de Salvador enquanto se está na época de carnaval.

Ajayô! Talvez você reconheça a expressão como sendo um dos gritos de guerra que foi popularizado pelo talentosíssimo cantor Carlinhos Brown. O termo viralizou, sendo disseminado por todo o país em sua espetacular voz, quando ele integrou o corpo de jurados de um programa musical na Rede Globo.

No entanto, o que poucos sabem é que, anteriormente ele já gritava a palavra em diversas situações. Isso sempre deixou dúvidas sobre suas intenções. Poderia ser uma livre saudação ao seu orixá ou até mesmo um termo ioruba?

Ajayô

Entendo mais amplamente o significado de Ajayô

A popularesca saudação que se tornou quase “abrasileirada” é básica e somente uma saudação. Bem antes de ter seu sucesso por conta dos gritos de Carlinhos Brown dentro do programa The Voice, já era dita por milhares de indivíduos durante o carnaval em toda a Bahia. Tanto por isso, a expressão se disseminou por conta do afro bloco Filhos de Gandhy.

Os Filhos de Gandhy é um grupo que teve a sua origem lá no ano de 1949 como mais um dos bloquinhos carnavalescos comuns.

Transformou-se em afoxé nos meados de 1951, assim que começou a colocar em seu repertório algumas músicas de origem africana. Eles também adotaram como religião primária, o Candomblé.

É comum ver que, enquanto o bloco está passando em meio às ruas e vielas de Salvador, os animados cantores de cima do trio passam a gritar a expressão Ajayô três vezes.

O público que segue acompanhando e se divertindo acaba gritando em retorno “ê”, entre os “ajayôs”.

Bom, até agora vimos que a expressão é uma saudação, mas ainda assim resta a dúvida: em termos mais significativos, o que a palavra gritada pelos Filhos de Gandhy e pelo Brown quer dizer?

Ajayô é uma expressão Ioruba ou não?

Ajayô tem ao timbre ioruba, por conta disso, diversas pessoas supõem que ela nada mais é que uma saudação feita para os orixás. Contudo, na linguagem ioruba não há nenhum termo parecido.

Assim sendo, é bem provável que “Ajayô” venha a ser mais uma invenção dos baianos, criada e difundida pelo grupo afoxé Filhos de Gandhy. Eles inventaram a interjeição que acabou “pegando”.

Essa modernice “iorubaiana” quer dizer:

  • Bem-vindo;
  • Axé;
  • Olá;
  • Desejos de paz;
  • Uma saudação de cunho positivo, dependendo do contexto em que está sendo empregado.

No carnaval que acontece em Salvador, a expressão é comumente usada como uma forma de desejar que os outros foliões aproveitem da melhor forma possível e sem nenhuma violência.

Ajayô

A origem do termo Ajayô

Mesmo não sendo reconhecida com uma expressão ioruba, a palavra Ajayô é inspirada na língua de origem africana. Afinal de contas, ela foi criada com o intuito de ser ritmicamente gritada e com fervor no trio que cultua as diversas tradições vindas da África, seguindo também os preceitos advindos do Candomblé.

Então, podemos dizer que Ajayô é considerada tal como uma alteração. Isso quer dizer que ela é uma escrita ou pronúncia nova que se originou de linguagens com prestígios sociais maiores.

Para entender o significado real do termo, é necessário entender que tal palavra nova foi inventada em meados dos anos 1950, tendo como base a expressão “ajoyê”.

Ajoyê é um termo muito usado dentro do Candomblé e quer dizer “vigilante dos orixás”. Isso também define o motivo de Ajayô ser considerado por tantos praticantes das religiões vindas da África como saudações às entidades.

A ajoyê, chamada também de ekedi, é uma mulher humana que não entra no transe e é escolhida pelos orixás nos terreiros do Candomblé. Sua principal função é a de apresentar-se como uma “dama de honras” dos orixás, cargo este que é de uma enorme responsabilidade.

Entre as tarefas que tem a cumprir está a de:

  • Zelar pelas vestimentas dos orixás;
  • Zelar pelos próprios;
  • Dançar com as tais entidades;
  • Certificar-se de que todos os visitantes que foram ao terreiro se mantenham totalmente confortáveis.

As ajoyês precisam também “desvirar” os orixás incorporados pelos filhos dos terreiros, checando se os devotos se encontram com as devidas condições mentais e físicas.

Outros famosos símbolos do Candomblé

Os símbolos listados a seguir são alguns dos mais famosos relacionados à religião africana. Conheça:

  • Fios-de-conta – São colares longos montados com contas. Têm a incumbência de fazer a identificação e a proteção dos fiéis de cada um dos orixás;
  • Comidas – As baianas, mais comumente conhecidas como “baianas dos acarajés”, são aquelas mulheres que vendem as comidas típicas que, antes de tudo, são ofertadas aos orixás. Exu, Iansã, Oyá, Obá e Xangô gostam muito de comer um acarajé;
  • Cerimônia de iniciação – O ritual de iniciação varia conforme cada terreiro de Candomblé. Contudo, algumas ações são comuns entre eles. Por exemplo, o iniciado tem que raspar a cabeça em meio às luzes das velas. Isso acontece enquanto quem está assistindo canta canções ancestrais ritualísticas. Ele também tem que usar um sagrado colar por cerca de 3 meses; não pode ter relações sexuais ou ingerir álcool;
  • Festas – O símbolo, talvez mais conhecido, do Candomblé é a festa. Além de feita no terreiro é também celebrada em meio às vielas da cidade de Salvador, principalmente durante o verão.

E então? Conseguiu entender um pouco mais o significado de Ajayô e o universo simbólico religioso que cerca a expressão?

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