Língua Portuguesa

Antítese é figura de linguagem que apresenta ideias opostas

Antítese

Originária do grego antithesis, a antítese já foi empregada em centenas de canções, títulos de filmes, livros e, também, jogada em rodas de conversas sem que o orador tivesse muito certeza do que estava dizendo.

Pois bem, meu caro amigo. Esse é o assunto de hoje. E, ao contrário do que você imagina, é muito mais fácil entender o que é antítese do que decorar as regras de um jogo pouco popular, como o rugby.

Começando pelo básico: as figuras de linguagem

Para entendermos o que é antítese, primeiro devemos saber que se trata de uma figura de linguagem.

Figuras de linguagem são um tipo de recurso que podemos utilizar tanto na fala quanto na escrita. O objetivo é tornar a mensagem ainda mais expressiva. Dessa forma, é importante que saibamos identificar cada uma das figuras de linguagem a fim de uma compreensão mais ampla do texto ou da conversa.

Uma das figuras de linguagem mais conhecidas é a metáfora. Um exemplo seria:

  • “Aquela mulher é uma formiga para doces!” – De fato, o indivíduo em questão não é realmente um inseto. A ideia que se deseja transmitir com essa figura de linguagem é que a mulher adora doces, tal qual uma formiga.

Com esse exemplo, fica mais fácil entender como essas figuras podem ajudar na construção da linguagem.

Dentro das figuras de linguagem, há algumas subdivisões:

  • Figuras de construção;
  • Figuras de palavras;
  • Figuras de pensamento.

A antítese está inserida no terceiro grupo, qual seja, figuras de pensamento.

Significado de antítese

Entendido que antítese é uma figura de linguagem, agora devemos observar como, de fato, ela se apresenta.

A antítese serve para apresentar ideias opostas. No entanto, só é considerada uma antítese quando as palavras ou expressões opostas aparecem próximas umas às outras. Se, em um parágrafo, há uma ideia e, somente no outro, é apresentada a ideia oposta, não se trata de uma antítese.

Um exemplo pode ser observado na música “Toda Forma de Poder”, da banda Engenheiros do Hawaii, no trecho que diz:

  • “Eu presto atenção no que eles dizem, mas eles não dizem nada.”

Basta reparar que, no início, o compositor apresenta a ideia de que “eles dizem”, porém, logo em seguida, “não dizem nada”.

Vejamos outro exemplo, agora na música Baader-Meinhof Blues, da banda Legião Urbana:

  • “Já estou cheio de me sentir vazio. Meu corpo é quente e estou sentindo frio.”

Observe que o compositor apresenta ideias opostas na construção da letra: cheio/vazio e quente/frio.

Antítese

A antítese no período Barroco

Não há como falar sobre antítese sem mencionar que tal figura de linguagem foi amplamente utilizada por autores no período Barroco. Isto porque o estilo era famoso e conhecido por “arte do conflito”, no qual também se apresentavam muitos paradoxos. Aliás, é comum confundir antítese com paradoxo.

Vamos esclarecer:

  • Antítese apresenta ideias opostas, próximas umas das outras;
  • Paradoxo apresenta uma opinião contrária àquela do senso comum.

Mais fácil entender com exemplos? Claro! Vamos lá:

  • Antítese: “Sou uma jovem, você é uma senhora.”
  • Paradoxo: “Sou uma jovem senhora.”

Na primeira frase, duas ideias opostas são apresentadas (jovem/senhora), sem que uma entre em conflito com a outra.

Já na segunda frase, utiliza-se um contrassenso de forma proposital (jovem senhora), afinal, contrariando o senso comum, como é possível ser “jovem” e “senhora” ao mesmo tempo?

Essa, então, é a diferença entre antítese e paradoxo, duas figuras de linguagem que marcaram presença no período Barroco.

Exemplos simples de antítese

Nas frases exemplificadas abaixo, você poderá entender melhor o conceito de antítese. As palavras que estiverem em itálico são as que apresentam ideias opostas:

  • Verdade e mentira estão sempre muito próximas.
  • Se não houver tristezas, como saberemos das alegrias?
  • Romualdo estava entre a vida e a morte.
  • Todo atleta coleciona vitórias e derrotas.
  • Quem saberá explicar a linha tênue entre o amor e o ódio?
  • É preciso passar por altos e baixos durante toda a vida.
  • Por que deixar para amanhã o que podemos fazer hoje?
  • Claudio saiu de casa cedo, mas voltou tarde.
  • Hoje fez um lindo sol, mas ontem choveu torrencialmente.
  • O que é feio para alguns pode ser bonito para outros.
  • Na obra deste autor, tanto luz quanto escuridão estão presentes.
  • Diversos países são marcados por um forte desequilíbrio entre a pobreza e a riqueza.
  • Enquanto estou acordado, minha irmã Gisele está dormindo.
  • Deixei meu carro no final da rua, mas a loja ficava no início.
  • Não deixe que suas fraquezas o impeçam de se tornar forte.
  • Jonas é lento no futebol, mas rápido no dever de casa.

A dialética hegeliana

Para o filósofo alemão Hegel, a dialética estabelece a auto-manifestação da ideia absoluta. Assim, a dialética é responsável pelo movimento de uma ideia da seguinte maneira:

  1. A ideia sai de si mesma, o que é chamado de tese;
  2. A ideia se torna algo diferente, o que é chamado de antítese;
  3. A ideia é concluída por meio da soma tese + antítese e alguns debates, resultando na síntese.

Dessa forma, então, a estrutura dialética de Hegel é composta por três momentos: tese, antítese e síntese.

Para além da estilística/retórica

Além do conceito estilístico e retórico da antítese, também é possível aplica-la das seguintes maneiras:

  •  Por extensão: quando há contraste muito nítido entre as ideias. Exemplo: água e vinho;
  • Por metonímia: quando há uma representação do contraste. Exemplo: ditadura e ideais democráticos.

Ainda, na Filosofia, a antítese pode ter os significados abaixo:

  • Ato de estabelecer contrariedades ou contradições intelectuais por meio da negação de uma especulação filosófica ou termo formulado previamente;
  • No hegelianismo, conforme explicamos acima, onde há a preparação da ideia (tese), a negação da etapa anterior (antítese) para, então, a superação sintética ao final do processo (síntese);
  • No kantismo, a antítese serve para refutar os quatro princípios fundamentais existentes, que são o início dos tempos, o átomo, a liberdade humana e a existência de Deus.

Considerações finais

Mais do que um assunto comum em provas de vestibular, a antítese é uma poderosa figura de linguagem que ajuda muito na construção da comunicação. Esperamos, então, que esse texto tenha ajudado você a compreender melhor sobre essa ferramenta. Não deixe de utiliza-la!